Em 1968, a história do cinema passava por
um evento inédito. A MGM, estúdio o qual era considerado pelos críticos e
estudiosos do cinema a casa do realismo romântico, financiou um filme que
possuía um final inteiramente abstrato: 2001
– Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
Aqui, Kubrick produzia sua obra mais
experimental, baseada em um conto de Arthur C. Clarke. Tudo desde a montagem
lendária, passando pelo misterioso monólito e terminando no final abstrato foi
novidade para o cinema ocidental da década de 60 e trouxe, para os anos
posteriores, a liberdade de fugir do concretismo, favorecendo trabalhos
abstratos que podem ser encontrados até hoje no cinema atual.
Porém, uma das cenas mais negligenciadas de
2001 é a que considero a mais
importante. A mais aterrorizante, de todo cinema. O personagem de Gary
Lockwood, Frank Poole, tem que realizar reparos extra veiculares e, enquanto
navega até o lugar danificado, seu módulo de transporte (controlado pelo
computador HAL 9000) corta seu suprimento de oxigênio e o deixa a deriva.
Os segundos que se seguem são de puro terror: o espaço infinito, a escuridão, o silêncio. Não há como argumentar contra o silêncio. A ausência de comunicação (escarça no filme por meio de diálogos) causa desconforto no público e é uma experiência raramente encontrada em filmes. Somando isso ao cenário de imensidão e escuridão, leva o espectador a pensar não apenas na mensagem ali passada mas na existência como um todo.
Mesmo assim, a cena é curta. Essa quebra é
muitas vezes esquecida, se analisada ao lado do final do filme. Talvez seja
para o melhor.
Texto: Gabriel Massaneiro
A Gamma é uma agência de produção audiovisual e material jornalístico sobre a história e o mercado da sétima arte.
Nossa principais referências serão filmes autorais, aqueles que imprimem a visão pessoal do diretor, colocando-o como a principal força criativa do filme. Ao contrário de grandes estúdios, no qual a produção do filme faz parte apenas de um processo industrial.
Uma das primeiras manifestações do cinema autoral foi a Nouvelle Vague, que teve seu ínicio na França nos anos 50, a partir de críticos e diretores como André Bazin, Jean Luc Godard, François Truffaut e Jacques Rivette.
Para
a realização do curta, tomaremos como base o cinema de Jean Luc Godard. Em seus
filmes sempre constavam críticas ao imperialismo estadunidense e o sistema
neoliberal, a liberdade estética, uso de jump cuts, uso criativo da montagem,
filmagens nas ruas (em oposição a estúdios) e a não linearidade do tempo. Nas
palavras do diretor Luís Rosemberg, no livro Godard, Jean Luc “O cinema de Godard é uma permanente
renovação das folhas de um grande jardim de infância: o Ocidente. A cada filme,
um brotar de ideias sem fim. Seu reino é a criação moderna. Destruidor da
sabedoria burguesa, não traz consigo a morte, mas a revolução. Na decrepitude
cultural em que vivemos, qualquer texto de Godard é uma lição de resistência,
de repulsa ao conformismo reinante.”
"Masculin Féminin" é uma das obras de Godard que marcaram o movimento.